MONUMENTO COMEMORATIVO DOS DUZENTOS ANOS

Neste ano de 2019, estaremos comemorando duzentos anos desde a instalação da Freguesia de N. S. de Belém, como marco simbólico da existência de Guarapuava.

Outras datas poderiam celebrar o aniversário da cidade. Existe aquela que está inserida no brasão do município: 09 de setembro de 1770 ou ainda o dia da chegada da Real Expedição de Guarapuava no dia 17 de junho de 1810. Sem falar a data da instalação da Vila em 17 de julho de 1852 ou quando passou a categoria de cidade em 12 de abril de 1871.

Para tanto, as comemorações deveriam incluir um marco histórico. Seria, entre outros, um monumento representativo da data, que exigiria uma convergência coletiva e consenso social para que resulte em respeitabilidade.

O professor Ulpiano T. Bezerra de Meneses abordou a respeito de uma consciência histórica, e esclarece que na sua ausência a cidadania nunca será plena. Diz ele que “Os monumentos ainda subsistem e se erigem novos. Nestes, muitas vezes, as narrativas não apenas se enfraquecem mas podem se manter explícitas, embora em conflito aberto, favorecendo uma privatização dos significados”.

Ainda continuando com Ulpiano quando ele menciona ser “...a memória um processo ideológico de produção de autoimagem e inteligibilidade, capaz de localizar nosso lugar na História, no acontecido, no tempo”.

Não podemos esquecer que a memória tem como suporte a identidade. Nossa identidade tem sido alterada nesses duzentos anos. Creio que estamos num momento de transição o que dificulta definir uma identidade para o momento atual, em razão das mudanças e alterações sociais intensas que se processam. Agrego ainda, para esse fato, a migração substancial presenciada na cidade que altera o suporte tecidual.

Em 1964, realizou-se em Veneza (Italia) o II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos, de onde se originou a Carta de Veneza, 1964 com esta mensagem: “Portadores de mensagem espiritual do passado, as obras monumentais de cada povo perduram no presente como testemunho vivo de suas tradições seculares. A humanidade (...) se reconhece solidariamente responsável por preservá-las, impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade”.

Fala-se da inutilidade de alguns monumentos representativos, quase sempre de cunho político e nacionalismo totalitário.

O monumento como valor histórico deve identificar as demandas sociais do povo e ser testemunho de seus sentimentos, sem que resulte em conflito de memória.

Murilo Walter Teixeira | Publicado: 04/01/2019  |  Editado: 04/01/2019

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