NOVE DE DEZEMBRO

Os campos de Guarapuava foram reconhecidos em 9 de setembro de 1770 pela expedição de Afonso Botelho quando transitava pelo rio Iguaçu sob o comando do militar Cândido Xavier de Almeida e Souza. Data que está inserida no brasão do Município de Guarapuava.

O Príncipe Regente D. João assina no primeiro dia do mês de abril de 1809 uma Carta Real com o título: "Aprova o plano de povoar os Campos de Guarapuava e de civilizar os índios bárbaros que infestam aquele território".

Longa e pormenorizada nas suas exigências no sentido de se obter resultado satisfatório: "...para dar principio ao grande estabelecimento de povoar os Campos de Guarapuava, de civilisar os indios barbaros, que infestam aquele territorio, e de pôr em cultura todo o paiz que de uma parte vai confinar com o Paraná , e da outra forma as cabeceiras do Uruguay que, depois rega o paiz de Missões, e communica assim com a Capitania do Rio Grande;".

Deixou de salientar suas confrontações com o rio Ivaí. Indicou o militar Diogo Pinto de Azevedo Portugal para comandante da Real Expedição Colonizadora, fato que o enaltece.

Uma vez estabelecidos na Aldeia de Atalaia, promovem o reconhecimento da região e principiam a colonização com a distribuição de Sesmarias, conforme dizia aquela Carta Régia:

"...toda a pessoa que quiser ir povoar os Campos de Guarapuava não será constrangida pelo espaço de seis anos a pagar divida alguma que deva à Fazenda Real, e que pelo tempo de 10 anos não pagará dízimo das terras novas que rotear, nem outro direito paroquial se não o que for necessário para o mantimento e trato dos Curas que ali se estabelecerem."

Escolhido o local para instalação da povoação, o sacerdote Francisco das Chagas Lima e o comandante do aquartelamento naquele momento tenente Antônio da Rocha Loures, redigem um documento intitulado "Auto de Fundação de Guarapuava" que descreve procedimentos para a instalação da Freguesia e formulações indicativas para serem obedecidas pelos seus habitantes. Talvez, uma das únicas cidades brasileiras a ter um conjunto de normas para consolidação de um aglomerado  urbano.

Assim principia o documento:

"Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1819, aos 9 do mês de Dezembro, nesta conquista de Guarapuava, sendo convidado o tenente comandante interino da Expedição Antônio da Rocha Loures, o reverendo vigário Colado Francisco das Chagas Lima, e mais povo, que se achavam neste Presídio de Atalaia, para um lugar de campo aprazível  situado para a parte do Sul da mesma Atalaia, légua e meia de distância e do Rio Jordão 1/4 de légua, onde, procedendo-se ao exame do terreno e achando-se este com todos as circunstâncias e proporções necessárias, tanto em belas águas de que esta cercado, como em madeiras de construir edifícios, de que tem abundância pelo circuito, como em pedras de alvenaria e cantaria, que são frequentes no lugar, como em pastagens para os animais que não faltam: aí se puseram os próprios fundamentos e se fizeram as demarcações da povoação freguesia e Igreja Matriz de N. S. do Belém, para cuja ereção tinha o mesmo reverendo vigário obtido alvará de S. Majestade".

     Razão pela qual se comemora dia de Guarapuava a data de 9 de dezembro.
 

Murilo Walter Teixeira | Publicado: 07/12/2018  |  Editado: 07/12/2018

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