CADEIRA 20

FUNDADOR

PATRONO

SUCESSOR

Abolicionista, nasceu em Alagoas em 1825, filho da escrava Lucinda, comprada na costa leste da África. 

De profissão, mestre de obras, exímio em taipa de pilão, foi comprado como escravo pelo bandeirante guarapuavano Pedro de Siqueira Côrtes, para trabalhar na construção do primeiro palacete que se construiria em Guarapuava, no pátio da Matriz.

Belmiro de Miranda era um homem de constituição robusta, inteligente, com pendores para os serviço de pedreiro e carpinteiro. Como recompensa daquela e outras obras executadas, Belmiro obteve a permissão de seu amo, para trabalhar para terceiros, aos Domingos e dias santificados e em noites enluaradas, no período das 22 às 24h, recebendo o justo salário pelos serviços que executava. Desta forma, o esforçado escravo conseguiu acumular o numerário para comprar a sua alforria e tornar-se homem livre, e como tal continuar a exercer a sua profissão de construtor. 

Em 1880, já havia conseguido o dinheiro suficiente para libertar da escravidão a sua futura esposa, Ezidia Efigênia, escrava do Cel. Zacarias Caetano Coelho do Amaral.

Com o auxilio de sua esposa Ezidia, que era exímia cozinheira, aplicava todo o dinheiro ganho na libertação de antigos companheiros de trabalho forçado, conseguindo desta forma a alforria de 50 escravos, que eram orientados por Belmiro na luta pela vida, libertos da escravidão.

Quando se tornou mais intensa a campanha abolicionista, Belmiro não sabendo ler nem escrever, pedia a seus amigos que por ele escrevessem cartas dirigidas a José do Patrocínio, solidarizando-se com aquele valoroso abolicionista.

Durante muitos anos o indômito abolicionista guarapuavano manteve contínua correspondência com o líder abolicionista José do Patrocínio; quando recebidas as mensagens deste, Belmiro pedia a seus amigos que as lessem para ele, duas ou três vezes que dessa forma o conteúdo fosse assimilado e decorado para ser retransmitido ao seu povo, nas senzalas, ou em praça pública, nutrindo neles a esperança da liberdade.

Grande foi a alegria de Belmiro de Miranda quando recebeu de José do Patrocínio, no dia 13 de maio de 1888, por meio de comunicação telegráfica a sonhada notícia da abolição da Escravatura no território brasileiro.

Imediatamente Belmiro organizou imponentes festejos comemorativos ao grande evento, contando com a presença do Visconde de Guarapuava, onde se confraternizaram em praça pública o povo e os escravos libertos.

Após o 13 de maio, Belmiro Miranda e sua esposa instalaram o Hotel Redenção, estabelecimento que foi considerado o melhor daquela época.

Era recordado pelos antigos habitantes de Guarapuava o caso da existência de um caixão mortuário que era designado "caixão da misericórdia", confeccionado por Belmiro e por ele doado à Igreja, destinado a levar os cadáveres de pessoas indigentes ao cemitério, de onde retornava, findo o sepultamento. Esse costume que foi abolido somente no começo do século vinte, por ser perigoso à saúde pública, atestava a preocupação de Belmiro Miranda em servir os humildes deserdados da sorte a quem ele tanto amava e auxiliava.

Assim Belmiro de Miranda deixou de ser escravo de um senhor para ser escravo de um jugo maior, tornando-se cativo do ideal de servir.

Belmiro Miranda faleceu em 1910.

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