17 de junho: quando tudo começou!

Em 17 de junho de 1810 teve início a história de Guarapuava com a chegada da Real Expedição concretizando, a partir da ocupação de seus campos, um antigo plano português de 1772, que determinava: “157. Establecendonos ... em Posto ventajoso, bem escolhido e bem imaginado nos Campos de Guarapuava; daly nos hiremos alargando, e estendendo o nosso Domínio à proporção das forças que tivermos”.[1]

 

Foi exatamente o que aconteceu!

 

A expedição militar comandada por Diogo Pinto de Azevedo Portugal escolheu um posto vantajoso no alto das “Campinas da Trindade”, perto do Rio Coutinho, onde é hoje o Distrito da Palmeirinha.

 

As primeiras providências foram tomadas.

 

A nova “povoação de Atalaia nome que proveio de se ter erigido a primeira obra desta qualidade, com a elevação de 40 palmos, sobre 4 esteios, de onde a sentinela podia descobrir grande extensão de campo”[2] foi sendo construída!

 

Uma curiosidade se estabelece!

 

Quanto media o forte Atalaia?

 

Se um palmo tem, em média, 22 centímetros, o forte Atalaia foi erigido com 8,80m.

 

De Atalaia, a expedição foi alargando e estendendo o domínio dos portugueses.

 

No dia seguinte ao da chegada, foi construída uma “abreviada” ponte no Rio Coutinho.

 

Durante 8 dias, foi feita uma exploração de 10 léguas aos campos. Diogo Pinto informou ter chegado até o Rio Jordão.

 

Casas foram construídas para alojamento dos expedicionários e suas famílias, assim como, o Armazém e o Almoxarifado. Roças de milho e feijão foram feitas.

 

As estradas de acesso foram melhoradas e ao fim de 1810, estava feita “ a Estrada larga e segura com suas competentes pontes na Matta, q. divide os Campos de Guarapuava dos Campos geraes de Coritiba; trajecto este q. se avalaia-se em 20 legoas mais ou menos”.[3]

 

Para cumprir o plano de 1772, Azevedo Portugal, em Atalaia, de 1810 a 1816, executou as ordens emanadas das autoridades portuguesas.

Antonio da Rocha Loures, o Capitão Rocha, ocupou o cargo de comandante interino de 1818 até a sua morte em 1849.[4]   Em agosto de 1810, Rocha Loures comandou o ataque dos índios a Atalaia, recebendo elogios do Comandante Azevedo Portugal e do Padre Chagas em atestado escrito em 1812. [5]

 

Padre Chagas, auxiliado pelo índio Pahy, considerou os anos de 1812 a 1819 os mais profícuos ao trabalho de catequese dos índios, outro objetivo da Real Expedição.  

 

De Atalaia partiu, em 1815, a expedição de Atanagildo Pinto Martins para ocupar e povoar o Planalto Médio do Rio Grande do Sul, deixando

o seu nome registrado na história das cidades de Cruz Alta, Passo Fundo, Carazinho e Palmeira das Missões[6].

 

As pessoas que compunham a expedição de 1810 e chegaram em 17 de junho de 1810, vieram com as suas famílias, vieram para ficar, para aqui se estabelecer, ocupar e povoar definitivamente os Campos de Guarapuava!

 

A história que aconteceu em Guarapuava de 1810 a 1819 merece ser lembrada e comemorada!

 

Atalaia deu origem à Freguesia de Nossa Senhora de Belém que se transformou em Vila, em 1852, depois em Cidade, em 1871!

 

17 de junho de 2019 marca os 209 anos de história efetiva em Guarapuava!

 

[1] PEREIRA, Magnus Roberto de Mello, org. Plano para sustentar a posse da parte meridional da América portuguesa (1772). Curitiba: Aos Quatro Ventos, 2003. P. 112.

[2] FRANCO, Arthur Martins. Diogo Pinto e a conquista de Guarapuava. Curitiba: Tipografia João Haupt, 1943. P. 93.,

[3] Op. Cit. P.100.

[4] TEIXEIRA, Benjamin C. Registros históricos de Guarapuava. Guarapuava: 2017. P. 25

[5] Op. Cit. P.95.

[6] DAMO, Nei Benito. Nos passos de Atanagildo. Curitiba: Editora do Autor, 2014.

Zilma Haick Dalla Vecchia | Publicado: 17/06/2019  |  Editado: 17/06/2019

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