AONDE FOI PARAR MINHA TRIBO!

Semana que passou, assisti à palestra do jovem Maurício Pilati que abordou a respeito da cultura indígena Guarani, com pesquisa nas diversas tribos que rodeiam nosso município.

Discorreu o tema com inúmeras imagens culminando com curta metragem sobre lendas guarapuavanas. Lamento que registrou a morte do Cacique Guairacá, pois sua imagem deveria permanecer altaneira e viva. Perspicaz e bastante minucioso no seu discurso.

Entusiasmou àqueles que presenciaram o evento. Parabéns!

Mas, esse tema me levou a relembrar da tribo da qual participava. Percebi que os componentes de minha tribo desapareceram. O Luiz Arthur Hohl com seu conhecimento sobre a reforma de nossa Matriz, feita pelo seu pai na década de trinta do século passado; o Robertinho com sua eloquência ao falar; o Vavá, sempre comentando suas experiências profissionais e esportivas; o Sebastião Martins discorrendo a respeito de nossa história; meus primos Robério e Romildo, e por aí vai nomes de amigos que permanecem na lembrança.

É bem verdade que no transcorrer da vida, constituímos tribos nos diversos campos de atuação. No esporte, na escola, no magistério, nas atividades religiosas, na vida profissional, nas lides campeiras, companheiros de bailes, da vida universitária, etc..

Desapareceram.

Porém, lendo uma reflexão envolvendo o pensamento do sociólogo Michel Maffesoli, a respeito do conceito de tribalismo na sociedade contemporânea, explica a respeito do comportamento humano frente às grandes transformações ocorridas nestes últimos anos. Ao que parece, voltou.

A troca de comunicações facilitadas pela internet proporciona a formação de tribos, grupos que se identificam nesse vai e vem de informações. Assim, uma pessoa, desempenha diversos papéis nas tribos que participa ao mesmo tempo.

O isolamento total é quase impossível, sempre estamos ligados culturalmente com outros, mesmo que se afigure como mundo todo seu, no interior de seu lar, porém, ligado sutilmente, através de seu celular. É uma nova forma de organização social.

Esse celular que muitas vezes incomoda interlocutores pela intensidade de uso. No entanto, facilitou e intensificou o contato com parentes e amigos, além da amplitude de comunicação.

É do sociólogo Richard Sennett esta frase: “As instituições que se apresentam como libertadoras se transformam em controladoras”. E acrescenta: “...o gratuito sempre é uma forma de dominação”. Interessante, achei essas frases agora lendo um jornal na internet.

Opa! E a minha tribo aonde foi parar?

Murilo Walter Teixeira | Publicado: 11/09/2018  |  Editado: 11/09/2018

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