Uma possibilidade e muitas consequências

Tentativas políticas de novos protagonistas são interessantes, mas também preocupantes.  Se é certo que, ao seu estilo, fissuram o conforto dos divinos em política, também é certo que se falham, fortalecem a tradição política com maior impulso de dominação. Então a máxima de que ‘quem não arrisca não caminha’ procede, como também é certa a máxima de que tentativas que frustram potencializam e impulsionam ainda mais o poder dominante. O saldo é: se for para mudar, vamos mudar de verdade.   Todavia, sabemos também que é sempre um risco acreditar, pois a esperança ou a mínima crença sem êxito tem potencialidade para desmoronar aqueles que ensaiam desativar os muitos dispositivos de dominação.

Uma nova lógica na política se faz necessária, mas esta nova categoria política não quer apenas vencer e substituir mantendo as mesmas correntes e os mesmos cárceres, pois se assim fosse seria apenas trocar uma dominação por outra dominação com igual ou maior impulso que o modelo anterior de forma incessante e travestida de seu caráter inalienável.

É por esta razão que precisamos de muito discernimento para fazer a escolha certa, uma vez que esta mudança é tão difícil quanto necessária.  No entanto, quanto mais demorar, maior será sua impotência.

Apesar de termos sido duramente atingidos pelo efeito da desilusão na energia cívica, entre arriscar e exilar-se da vida política, sempre fica o dilema: o que fazer?

De emancipados a dominados a frustração com a política em si é um fenômeno porque não há respostas para o que mais interessa, ou seja, a possibilidade de uma vida qualificada para todos os brasileiros. Deste modo a eleição continuará dividida entre aqueles que defendem mais Estado na sociedade e outros que defendem menos Estado na sociedade.

Particularmente penso que seria uma tragédia se nossos espaços públicos fossem apenas o templo do mercado em forma de shoppings e nossa identidade não fosse de cidadãos, mas tão somente de consumidores, aí o apartheid seria sem nenhum escrúpulo.   O momento é de ajustar a máquina pública e não acabar com ela. Um país educado com mercado progride, mas um país só com mercado é uma estupidez.

 

Da mesma forma, um país saudável com mercado progride, mas um país só com mercado é degradante.  Não tenho nenhuma dúvida que é o Estado mais justo e equilibrado que tem melhores condições de construir uma educação diferenciada que considere o conhecimento e a dignidade. Nesta engrenagem, o Professor ainda é necessário. Não se trata de qualquer Professor, mas sim de um Professor qualificado e motivado que saiba reunir em uma dimensão ‘conhecimento e interesse’. Afinal o Professor qualificado tem capacidade para fazer aquilo que as máquinas não conseguem fazer que é transmitir conhecimento, ensinar a aprender, ensinar a fazer, ensinar a conviver e ensinar a ser.

Se nossos presidenciáveis tocassem nestas questões nevrálgicas e se nossa mídia colaborasse, talvez teríamos respostas próprias e tentativas de ações à altura daquilo que pode nos tirar deste limbo. Ora, Professores qualificados são necessários para desempenhar aquele trabalho que é verdadeiramente humano e que nada tem a ver com o conceito unicamente econômico de trabalho. Não pode ser o medo e a violência, turbinados pela própria mídia, o elemento determinante de nossa escolha. Ora, políticos convencionais reagem mal a toda e qualquer possibilidade de ver novos protagonistas em seus caminhos.  Em particular vejo em nossa cidade algumas poucas candidaturas livres e este fato, por si só, tem irritado aqueles que optaram pela perpetuação de seus nomes e sobrenomes seja pelo fisiologismo, seja pela captura da mídia local, seja pelo dinheiro que suborna pequenas lideranças e que conta com a dependência daqueles que servem ao sistema.

Novas tentativas em novas candidaturas funcionam como uma crítica ao status quo dominante, uma espécie de contraponto. Se não incomodam é porque não são perigosos, mas sim corpos dóceis.  Os argumentos de novos protagonistas na política local têm a potência de revelar pontos fracos dos “mesmos de sempre”, apontando negligências e defendendo um jeito diferente de representação.

Cláudio Cesar Andrade | Publicado: 30/08/2018  |  Editado: 30/08/2018

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